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Alzheimer mitos, dúvidas e temores

Pelo médico geriatra Jamerson de Carvalho.



Com o envelhecimento populacional, a doença de Alzheimer tem se tornado cada vez mais prevalente. Cercada de mitos, dúvidas e temores cresce o interesse sobre esse tema. Visando esclarecer o público o Geriatra conversou com a reportagem do jornal A União como segue o texto publicado em 28 de junho de 2015. As demências degenerativas fazem parte de um grupo de doenças que está relacionado com a perda das capacidades cognitivas, como: memória, capacidade de cálculo, atenção, até o próprio comportamento. De acordo com o geriatra Jamerson de Carvalho, a maioria das pessoas só vê a memória, que é o que leva à consulta. “Havendo tantos domínios cognitivos, há muitas demências, mas as principais são: demência de Alzheimer ou doença de Alzheimer, como é conhecida, demência vascular e depois a mistura entre o Alzheimer e a demência vascular”, explica o geriatra. A maioria dessas doenças se manifesta com um déficit de memória ou de atenção. “À medida que a doença progride, o doente começa a se atrapalhar e não fazer mais as coisas que ele fazia antigamente: cozinhar, pegar ônibus, ele esquece panelas no fogo, perde a capacidade de reconhecer pessoas, até mesmo de se reconhecer no espelho”, destaca Jamerson de Carvalho. Dando destaque à doença de Alzheimer, a mais comum das demências degenerativas, cabe aqui explicar o que a provoca. O Alzheimer é uma doença degenerativa primária e, de acordo com o geriatra, não há nenhum fator evidente de algo no meio ambiente ou alguma coisa que você coma que causa o Alzheimer. “É um defeito genético na produção de uma proteína e essa proteína se acumula dentro da célula neuronal, que é a célula do cérebro, e isso gera uma deliberação dessa célula e a demência. Por ser em locais específicos do cérebro, está mais relacionada com a memória. Essas células tendem a morrer principalmente numa área de memória”, explica. O Alzheimer é uma doença prioritariamente de idosos e tem sua incidência maior acima dos 60 anos. O geriatra destaca que hoje se fala no retardamento da doença, mas não na prevenção. “Para o doente se permanecer ativo, utiliza-se atividade intelectual, como a leitura, atividade física e inserção na vida social”, disse. Estudos mostram que o doente que se mantém ativo, juntamente com todas aquelas medidas para a saúde, como alimentação saudável, rica em fibras, ingestão de pouca carne vermelha, pouco carboidrato, diminuição de alimentos industrializados, ênfase em atividades aeróbicas e exercícios constantes, são medidas que podem retardar o Alzheimer, de acordo com o especialista. “Não existe cura para a doença de Alzheimer, muitas vezes o tratamento clínico que é dado ao paciente só retarda a evolução da doença”. No Alzheimer, diz o especialista, existem os transtornos de comportamento. Uma das linhas de tratamento não mexe na doença em si, mas tenta contornar esses sintomas. São os tratamentos dos transtornos de comportamentos, com remédios e terapia ocupacional, para o doente sair, ter vida social, utilizar o que restou da sua capacidade em alguma coisa que o distraia e que consuma suas energias. “O tratamento não é só medicamentoso, o tratamento é comportamental”, completa. Por mais que haja um acompanhamento regular e específico com uma equipe multidisciplinar, a família precisa estar sempre por perto. “É preciso ter muita paciência. Muitas vezes há uma descaracterização total do doente, ele nem se lembra de si, nem da família. A doença de Alzheimer é uma doença de todos, não é só do doente”, alerta o geriatra. Após o diagnóstico, ele explica, o paciente tem em média uma expectativa de 20 anos. Mas a evolução da doença é rápida e o idoso só fica consciente na fase inicial, entre os cinco primeiros anos da doença. “A maior parte da doença é em fase terminal, totalmente dependente e nos últimos anos acamado, sem conseguir comer ou dormir, urinando em fralda, comendo muitas vezes por sondas”, completou. A doença de Alzheimer é progressiva e intratável. “O que o remédio faz, muitas vezes, é segurar um pouco a evolução da doença. Nos casos, 25% respondem muito bem, 5% não respondem nada e 50% respondem mais ou menos”, finaliza o geriatra Jamerson de Carvalho.

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