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BIOQUÍMICA ALÉM DA AUTOMAÇÃO

Pelo Especialista e Mestre em Biologia Celular Fernando Caldeira Filho


As dosagens bioquímicas são extremamente úteis na avaliação de qualquer tipo de paciente. Desde o paciente ambulatorial, passando por aquele em situação de urgência/emergência até aquele paciente grave em UTI. Parâmetros como glicose, ureia, creatinina, AST, ALT, bilirrubinas, DHL, gama GT, fosfatase alcalina, troponina, gasometria, entre tantos outros, podem fornecer informações valiosas sobre as condições metabólicas e funcionais de determinado sistema do corpo.


Na bioquímica laboratorial, mais importante que saber executar os testes de dosagem, é saber extrair o verdadeiro significado clínico dos resultados. Imagine um paciente com diagnóstico de anemia ferropriva que apresenta aumento da ferritina, ou um paciente totalmente assintomático que apresenta elevação de DHL. Agora ponha-se na condição de plantonista do setor de Bioquímica. Você liberaria esses resultados? Seria capaz de justificá-los ante um questionamento médico? Qualquer um é capaz de receber um treinamento e operar bem determinado equipamento, mas, e o resultado dos exames? Quantos são capazes de interpretá-lo corretamente? Quantos conseguem associar o resultado laboratorial (números) ao quadro clínico do paciente? Como associar esses resultados com a hematologia, com a imunologia? Pois é...se você acha que a parte importante do setor de bioquímica resume-se a passar o soro controle, os calibradores, operar o equipamento e liberar os resultados, tenho péssimas notícias. Basta que você olhe qualquer prova de qualquer concurso para Bioquímico, Biomédico, Farmacêutico-Bioquímico e veja como eles abordam essas questões. Ademais, quem escolhe trabalhar nessa área precisa entender desde cedo que no final das contas o que vai realmente contar é se conseguimos ou não ajudar o paciente, e não se estamos operando bem uma máquina. E para isso, precisamos saber o que estamos fazendo, o que cada resultado daquele significa para cada paciente. Sim, para cada paciente! Ureia de 100mg/dL para um paciente em insuficiência renal aguda pode significar uma coisa, para um com doença renal crônica pode significar outra.


A dica é: procure se especializar, realizar cursos de atualização, crie o hábito da leitura... de preferência com artigos atualizados.

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