Mais medicina 

  • Maismedicina.com.br

O que é marketing, e um motivo de os profissionais de saúde entenderem desse assunto

Atualizado: 20 de Mar de 2018

Pelo mestre e especialista Wesley Ferreira de Paula

Muito se fala sobre marketing, mas, ao longo dos anos, ao perguntar sobre o que é isso, quase não encontrei quem pudesse responder claramente. É mesmo difícil esclarecer isso, e é o que tentarei fazer neste artigo, à luz de diversos estudiosos do assunto. Farei, ainda, uma contextualização do tema considerando a área da saúde como modus explicativo.

Desde os anos 1970 que Al Ries e Jack Trout vêm ensinando com profundidade a respeito de como construir valor num mercado altamente competitivo. Em 1986 eles afirmaram que “marketing é guerra”. Tal assertiva foi feita ao analisar o contexto de crescente concorrência, e que os gestores, quase sempre buscam ganhar espaços mercadológicos de seus oponentes como meio de crescimento e consolidação dos negócios, inclusive em saúde. As técnicas são diversas, porém, vou me ater à explicação do termo, conforme apontado.

O conflito mercadológico, como descrito acima, ocorre em função de um conceito da área da economia chamado de “desequilíbrio”, que é quando há mais oferta (mais concorrentes com produtos e serviços) do que demanda (gente procurando adquirir os tais produtos e serviços), conforme conceito desenvolvido por Ludwig von Mises, da Escola Austríaca. A título comparativo, veja que a quantidade de médicos cresceu no Brasil 2.086,6% entre os anos 1940 e 2.015, enquanto a população cresceu apenas 495,7%. Em outras palavras, a cada ano há menos potenciais pacientes para cada profissional disponível. Esse quadro pode ser melhor entendido através da tabela a seguir:


Fonte: Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nota: nesta análise foi usado o número de registros de médicos. Fonte: Scheffer M. et al., Demografia Médica no Brasil 2015.

Em contexto de acirramento por clientes (os pacientes da saúde), é preciso buscar a diferenciação, como proposto precipuamente por Theodore Levitt, ainda nos anos 1960, quando dizia que é preciso que você “diferencie tudo de qualquer coisa”. Basta olhar os números da tabela acima para perceber que aquele que buscar ser igual está se afogando em crises, presentes ou futuras – e a tendência é ficar cada vez pior. A cada ano que passa há menos demanda potencial por cada profissional existente, simplesmente por causa do crescimento muito maior da quantidade de profissionais disponíveis para o trabalho em relação ao crescimento muito menor da quantidade de pessoas a serem atendidas. Encontrar um nicho, promover serviços e produtos, se possíveis únicos e melhorados, passa a ser questão de sobrevivência mercadológica, meio de prosperar e atingir a excelência.

Ao longo de quase três décadas venho assessorando empresas e negócios orientados para o mercado, alinhando a gestão com metodologias comprovadas cientificamente. Ao olhar para o passado daqueles que foram e são bem-sucedidos, percebo que as pessoas, seja de qualquer área profissional, devem estar atentas em cada detalhe, a fim de gerar equilíbrio mercadológico para si, ainda que represente gerar desequilíbrio para os demais (os que não se prepararam para enfrentar a tal guerra de marketing). Finalizo com um conselho de Napoleão Bonaparte, o então imperador francês: “a primeira qualidade de um comandante é cabeça fria para receber uma impressão correta das coisas. Não deve deixar-se confundir quer por boas quer por más notícias”. Ou seja: analise bem os fatos, deixe as aparências de fora, mire numa meta ousada e realizável, organize suas forças e vá para a batalha da vida.